SONHOS...

O maior sonho do meu marido e meu sempre foi ter filhos, logo que casamos, procuramos uma clínica de fertilidade, eu estava com 36 anos e por causa da idade não queríamos aguardar para engravidar, alguns exames meus estavam alterados, foi sugerido FIV (fertilização in Vitro), fiz 7 (sete) FIVs sem sucesso, após 3 anos de tratamento desistimos.
Quatro meses após a última FIV, tivemos uma grande surpresa: MEU DEUS, EU ESTAVA GRÁVIDA!!! (sem tratamento), me senti a mulher mais realizada do mundo!!!
O meu marido me dizia que não havia nada de errado com a minha saúde e que eu não conseguia engravidar por causa da minha extrema ansiedade. Hoje eu acredito nele.
Tive uma gestação e parto maravilhosos, era uma menina, o nosso sonho que se chamaria Katherine (Kathy), ela nasceu linda e esbanjava saúde. Sempre sonhávamos de como seria nossos filhos e ela com certeza era muuuuito mais do que idealizávamos, além de linda, com o tempo já se mostrava uma pequena muito meiga, inteligente, carinhosa e tudo, tudo muito mais... Sempre foi tudo na nossa vida!!!
Qdo a Kathy tinha 5 meses, tivemos uma outra surpresa: MEU DEUS, EU ESTAVA GRÁVIDA NOVAMENTE!!! A mesma emoção tomou conta de toda a família!!! Era um menino que se chamaria Ian (o nome do meu pai), eles foram crescendo lindos e perfeitos, qdo o Ian tinha 5 meses, acreditem, tive a terceira maior surpresa: MEU DEUS, EU ESTAVA GRÁVIDA PELA TERCEIRA VEZ!!! Decidimos pelo nome de Frederico (o nome do meu maridão). Após o nascimento do pequeno Fred combinamos que eu faria laqueadura.
Depois que me tornei mãe, fiquei infinitamente mais paciente, embora com limites, sempre tento conseguir as coisas com diálogo, criamos uma confiança mutua, tento não dar aquela enroladinha... e como a maioria das mães, acho os meus filhos os mais incríveis, lindos e especiais do mundo, eles são tudo... sou hiper corujona . Sempre me senti privilegiada por ter uma família tão maravilhosa. Vivo pra eles!!!
No quarto mês de gestação (terceirinho), percebi que às vezes a Kathy estava um pouco pálida, cansada, manchas roxas no corpo devido algumas peraltices de crianças, falta de apetite, dor nas pernas (sempre dava muitos beijinhos e ela falava que havia passado), alguns dias febre de 37,5, porém a maior parte do tempo estes sintomas não se apresentavam, tudo era muito sutil, mesmo assim sentia que algo estava errado, mas todos me falavam que era uma simples virose, pra eu relaxar, crianças nesta idade as vezes não come direito...
Neste momento a Kathy tinha 2 anos, o Ian 10 meses e eu com uma barriga de 4 meses de gestação...
No dia 21 de dezembro de 2007 (sexta-feira), saímos pra passear, tivemos uma tarde super divertida, qdo chegamos em casa, observei umas manchinhas vermelhas pelo corpo e fomos ao Pronto-Atendimento. Relatei à médica sobre os sintomas que de vez enquanto surgia. Durante o exame a médica apalpou a barriga da Kathy, o fígado e o baço estavam inchados... olhou nos meus olhos e desmoronei...percebi que algo muito sério estava por vir... ela disse pra eu estar preparada pra tudo, até para um problema oncológico. Ligaram para o nosso pediatra e disseram que a levariam imediatamente para o hospital no Morumbi para diagnóstico. Aquilo não fazia sentido pra mim, a família do meu marido e a minha nunca tiveram nenhum problema oncológico, mesmo assim comecei a ficar desesperada.
A Kathy fez vários exames e aguardamos os resultados brincando com ela no quarto juntamente com a minha irmã e cunhado. Aquela espera me deixou transtornada, parecia que a minha vida estava por um fio...
De repente a Dra. Tânia entrou no quarto dizendo que não tinha boas notícias, saímos e ouvi naquele momento o que jamais imaginei ouvir na minha vida: "A SUA FILHA TEM LEUCEMIA... vcs terão que ser fortes, ela precisará muito de vcs. Naquele momento o mundo desmoronou pra mim e meu marido, perdemos o chão, isso não podia estar acontecendo, ela é tão saudável, aquilo parecia um grande equívoco, fora da nossa realidade, ela é nossa vida. O meu marido e eu nos abraçamos forte e choramos desesperadamente. Com certeza foi o pior dia das nossas vidas!!!
Foi levada imediatamente pra UTI, pois as plaquetas estavam muito baixas e havia risco de hemorragia interna... Começou então a 1ª transfusão entre muuuitas que ela tomaria, qdo de repente ela começou tremer o corpo involuntariamente, vômitos, taquicardia, febre... ela estava entrando em choque, nunca poderíamos imaginar que ela é alérgica a plaquetas e que só poderia recebe-la de um único doador. Era impossível de acreditar que naquele mesmo dia ela estava ótima, que havíamos nos divertido muito e de repente vem o choque da notícia e ainda ver a pequena mais amada do mundo passar por tudo aquilo, eu pedia muito a Deus para estar no lugar dela, ficamos transtornados...
No dia seguinte começaram os exames Mielo, Liquor, Imunofetipagem, Cariótipo (detecção de alterações cromossômicas) para ver qual o tipo de Leucemia.
Através do nosso pediatra, conhecemos o homem que faria toda diferença no tratamento: Dr. Vicente Odoni Filho, o melhor oncologista do mundo e que viria a ser o meu segundo pai, a pessoa que nos devolveu a esperança e a vida. O diagnosticado foi Leucemia Linfóide Aguda (LLA), que é agressiva, porém a mais comum em crianças. Ele nos explicou tudo sobre a doença e que o tratamento consistia em 3 ciclos. A Kathy teria 80% chances de cura. Naquele momento 20% de insucesso era um percentual muito grande pra mim, uma mãe que ouvir 100% de cura.
Quase toda a família e amigos já sabiam, ninguém conseguia acreditar!!! Houve uma corrente muito grande pela saúde dela.
A equipe médica se animou, pois eu estava grávida e congelaríamos as Células Tronco para uma eventual necessidade, a Células somente seria utilizada se a quimioterapia não fosse eficaz. O tratamento com quimio duraria 2 anos e meio (cada notícia me assustava mais, como pode 2 anos e meio???).
O Dr. Vicente nunca falava do próximo ciclo, do futuro, só nos explicava sobre o atual ciclo, sempre nos falava para vivenciar um ciclo de cada vez... tive que controlar a minha ansiedade. Mas depois eu entendi o porquê. O tratamento é complexo e não adiantava antecipar os fatos e sofrimentos.
Passamos o Natal no hospital e combinamos em comemora-lo qdo ela tivesse alta. Após 1 semana na UTI fomos para o quarto e após alguns dias retornamos a nossa casa para celebrar o nosso Natal e Revillon.
Qdo retornamos já não éramos mais mesmos, só quem passa sabe...
Tentávamos nos dividir por causa do Ian, mas eu não conseguia deixar a Kathy sem meu apoio, ela quem precisava mais de mim naquele momento.
Íamos diariamente ao hospital para as quimios e eram doses altas, veio então a transformação... mudança radical de humor, não brincava mais, passava o dia sem falar, ficava o tempo todo deitada com olhar fixo e perdido, tinha dores, os cabelinhos começaram a cair (não caíram todos) e muito inchaço devido ao corticóide, a Kathy sempre foi magra e em 20 dias começou a usar roupas de 8 anos, com tanto peso (inchaço) tinha dificuldade pra andar. O tratamento era muito agressivo. Tivemos que contratar mais pessoas para nos ajudar em casa, os cuidados eram grandes, a imunidade era muita baixa. Mudamos tudo em casa. A vida de toda a família se transformou.
No meio de tudo isso cada vez mais a minha barriga crescia...
Começou o segundo ciclo (Consolidação), que duraria 6 meses, neste período a Kathy internava semanalmente com infecções, por causa da baixa imunidade, com muitas transfusões (agora com plaquetas de um único doador).
Neste ciclo a Kathy já começou a sorrir, brincar, desinchar, enfim a nossa menininha estava voltando a ser o que era.
Qdo iniciou o terceiro e atual ciclo (Manutenção), nasceu o nosso pequeno Fred, liiiiindo!!! Pensávamos que ele seria o bebe mais estressado do mundo, a minha barriga havia crescido no meio de muita angústia... mas ele é alegre e tranqüilo, é mais um anjinho nas nossas vidas.
As células foram congeladas, embora esperamos nunca precisar usa-la, pois se Deus quiser ela responderá bem a quimio até o final do tratamento.
Eu achava que este ciclo seria mais brando, mas ela continua tomando quimio diariamente em casa, vai ao hospital fazer outras quimios, exames de sangue e Liquor (medula), intratecal... esses procedimentos são os mesmos até o final do tratamento que será em 29 de agosto de 2010. O dia mais feliz das nossas vidas, a data mais esperada do século para nós.
A kathy passa mal qdo faz as quimios com doses mais altas, mas nos intervalos entre uma e outra, ela é uma garotinha muito alegre, gosta de nadar (qdo a imunidade melhora), brincar, passear, dançar, interpretar, alem de ser absurdamente carinhosa e delicada, como ela mesmo diz: é uma verdadeira princesa bailarina. Ela extraordinária!!! É forte, muuuuito forte, até demais, uma grande guerreira. Um grande exemplo!!!
Falo que a minha vida é uma Montanha Russa de emoções e acontecimentos porque nunca sabemos como vai ser o dia de hoje, de repente precisamos interná-la (por incrível que pareça é sempre de madrugada), sem contar que em alguns momentos tenho medos e depois já fico segura e confiante, consigo sentir tudo num único dia, mas graças as Deus a sensação de confiança está e cada vez mais presente nas nossas vidas, isso se deve muito ao maridão, que alem de ser um pai como poucos (isso eu tenho certeza) sempre esteve ao meu lado, me encorajando com seu absurdo otimismo, é um mega companheiro.
Muitas vezes durante o tratamento me tranquei no banheiro e chorei por horas, sozinha ou desabafando com alguma amiga, mas sempre passei pra Kathy e pra minha família só alegria e segurança, mesmo nos momentos das dores mais profundas, o meu objetivo sempre foi fazer dessa casa o lar mais feliz do mundo para ela, não deixo transparecer nenhuma tristeza ou preocupação. Temos em casa muita harmonia, brincamos, dançamos, cantamos... muito, sempre... Nossos amigos vêm em casa e ficam impressionados com a alegria e energia que existe aqui. É incrível, não temos idéia da força que existe dentro de nós, sei que eu sou o porto seguro deles e faço "qualquer coisa" para poupá-los dessa dor. Quero que eles sejam adultos bem resolvidos, do bem e acima de tudo felizes, me empenho pra isso.
Qdo finalizar o tratamento em 29 de agosto de 2010 iremos para a Disney para comemorar, sonhamos o tempo todo com essa data e já temos a nossa viagem toda planejada, nos emocionamos qdo falamos neste dia, alias, nos emocionamos por tudo, agradecemos a Deus pela permissão de poder cuidar da nossa pequena (princesa bailarina), por não ser algo mais sério, sempre pode ser pior.
Sempre fui extremamente ansiosa, mas hoje aprendi a viver um dia de cada vez, acreditem, vivo cada dia intensamente e dou valor a tudo que Deus me oferece... cada detalhes do dia a dia.
Este é um pequeno relato do nosso 2008, não conseguiria escrever aqui sobre o tratamento em si ou sobre os meus sentimentos nas diferentes fases do tratamento, existiram muitos acontecimentos durante esse período, mas agradeço a minha amiga Lidi pelo espaço em seu blog e a Deus por me fazer uma pessoa cada vez melhor.

Eillen

UMA HISTÓRIA PARA GUARDAR....

Caros Amigos,
Acredito que todo início de ano, é tempo de renovar...
Renovar nossas idéias, nossos sentimentos, nossas emoções...
Eu tenho aqui uma história que vai fazê-los parar e pensar... no que ás vezes nos passa tão despercebido...
Conheço uma grande mulher, que ainda me parece menina ás vezes, mas que já passou por coisas que muitas e muitas de nós nem sonharíamos em nosso pior sonho, passar por coisa semelhante... Eu, como mulher e mãe, tenho uma profunda admiração por ela e um carinho muito grande por este ser humano maravilhoso que luta bravamente todos os dias pela vida de sua filha.
Reservei hoje, um lugar muito importante no meu pequeno blog, para que ela conte-nos sua história.
O texto a seguir vem dela, de próprio punho e coração.

Um super 2009 a todos e no ano que vem, não deixem de aproveitar um só minuto ao lado de quem mais amam!!